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Unidos contra o terrorismo atômico

O medo do terrorismo nuclear dominou o encontro em Washington. Keystone

Mais segurança no armazenamento de material nuclear, sanções mais severas para os contrabandistas nucleares e menos urânio altamente enriquecido em reatores.

Este conteúdo foi publicado em 14. abril 2010 - 13:21

Assim o líderes de quase 50 países, incluindo a Suíça, querem combater o perigo do terrorismo nuclear.

Os participantes da cúpula nuclear em Washington chegaram a um acordo sobre um plano de trabalho com medidas concretas para impedir que material nuclear que pode ser usado para construir bombas caia nas mãos de terroristas. Os primeiros resultados concretos são os anúncios de alguns Estados de se abster totalmente da posse de urânio próprio para uso em armas.

Segundo o presidente dos EUA, Barack Obama, os participantes concordaram que o terrorismo nuclear está dentre os maiores riscos para a segurança do mundo. Obama avaliou o encontro como um sucesso.

"Fizemos progressos reais e firmamos acordos que irão trazer mais segurança para os americanos e o resto do mundo", esclareceu o presidente na conclusão da conferência. A presidente suíça, Doris Leuthard, também fez um balanço positivo.

Papel determinante da AIEA

A luta contra o contrabando nuclear será reforçada. O fluxo de informações sobre os acervos nucleares também deve ser melhorado. Além disso, é preciso ocorrer um intercâmbio de experiências na detecção e processos jurídicos que envolvem delitos atômicos.

Dentro de quatro anos, todo o material nuclear deve estar registrado e guardado em segurança. A Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA) terá um papel fundamental no controle dos compromissos firmados e das diferentes responsabilidades assumidas por cada Estado, além de participar na formação de pessoal especializado.

Em princípio, trata-se de encontrar maneiras de impedir que terroristas possam obter material nuclear originário de reatores, laboratórios de pesquisa ou também de hospitais e que possa ser utilizado na produção de bombas.

Sem compromissos

A cúpula aprovou na sua declaração final mecanismos "robustos" de proteção de material radioativo do acesso por parte de terroristas, sem restringir o direito de cada Estado de utilização da energia nuclear para fins pacíficos. No futuro, usinas nucleares devem utilizar, se possível, apenas material fracamente enriquecido.

Os participantes também se mostraram dispostos a honrar todos os compromissos existentes com fins de segurança nuclear. Eles também esperam que outros Estados se juntem a esses propósitos, sobretudo os que não estavam presentes no encontro. As declarações do encontro não são vinculativas. Em 2012 outra cúpula será organizada na Coréia do Sul para debater a questão.

Balanço positivo

A presidente da Confederação Helvética, Doris Leuthard, fez um balanço positivo do encontro pouco antes do seu encerramento. "Ele foi prometedor", declarou frente à imprensa em Washington antes de retornar à Suíça. Seu ceticismo inicial dissipou-se através de conversações mais precisas e analíticas.

Os mais de 40 chefes de Estado e de governo chegaram a um acordo, segundo Leuthard: com a demanda crescente de energia e a construção de inúmeras novas centrais nucleares em todo o mundo, aumenta também o risco de que material nuclear caia em mãos erradas.

Por isso é importante que o material nuclear civil, utilizado em usinas, laboratórios de pesquisa ou hospitais, sejam guardados com segurança para que isso não possa ocorrer. "O encontro foi um início. O caminho é ainda muito longo". Agora é necessário que sejam dados os próximos passos, concretos e também vinculativos.

"Esse é um elemento-chave: não podemos apenas fazer declarações, mas também aplicar as medidas se queremos reforçar a segurança", declarou Leuthard.

Sinal positivo

Leuthard também se referia a uma proposta do presidente francês Nicolas Sarkozy, que sugeriu a criação de um tribunal para processar e sancionar Estados que forneçam material nuclear a grupos como a Al-Qaeda. Holanda e Alemanha também se pronunciaram da mesma maneira.

Ao mesmo tempo, Leuthard ressaltou que a utilização militar da energia nuclear também representa uma ameaça ainda maior. Por isso é necessário reduzir o risco de que armas atômicas possam ser roubadas com objetivos terroristas. Essa posição também foi defendida por outros países como Noruega, Suécia e Austrália.

A presidente suíça qualificou a assinatura do tratado START ("Strategic Arms Reduction Talks", para a redução de Armas Estratégicas) entre os Estados Unidos e a Rússia, como um sinal positivo. Ele mostra que houve progresso na questão do desarmamento, apesar do encontro não ter tratado do tema diretamente.

Outra medida importante na luta contra os riscos nucleares será a conferência de avaliação do Tratado de Não Proliferação, (Non-Proliferation Treaty), prevista para ocorrer em maio na ONU em Nova Iorque.

Posição da Suíça

Leuthard também chamou a atenção para os instrumentos internacionais já existentes e que não foram ratificados por muitos países. "A Suíça tem uma boa posição nesta questão. Já ratificamos todos os acordos nucleares relevantes.", declarou.

Já Obama concordou que os Estados Unidos precisam recuperar espaço. Até hoje o país não assinou a Convenção da ONU de Proteção do Terrorismo Nuclear. Segundo círculos governamentais, o Senado americano deve tratar do tema em breve.

Rita Emch, swissinfo.ch, Washington
(Adaptação: Alexander Thoele)

Primeiros passos concretos

Ainda durante a conferência ocorreram os primeiros passos concretos para reduzir o material nuclear de risco. Segundo especialistas, hoje existem cerca de 1.600 toneladas de urânio enriquecido (próprio para a utilização em armas) e 600 toneladas de plutônio.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergej Lawrow, assinaram em Washington um acordo para eliminação de 34 toneladas de plutônio a partir de 2018.

Além disso, a Ucrânia, México e Canadá anunciaram que irão transferir seus depósitos restantes de urânio enriquecido para serem colocados em segurança nos Estados Unidos.

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