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Um monte chamado "Suíça"

A Suíça saxônica (em alemão, "Sächsische Schweiz") é uma região natural da Alemanha localizada na parte mais oriental do estado federal da Saxônia. Keystone / Alexander Blum
Este conteúdo foi publicado em 09. agosto 2020 - 10:00
Petra Krimphove, Berlin

Do Mar do Norte até à Suábia: mais de 100 localidades na Alemanha têm "Suíça" no nome. A organização germânica de turismo lança agora uma campanha para atrair turistas suíços para elas.

Desde 15 de junho, habitantes da Suíços podem atravessar a fronteira para passar férias na Alemanha. Lá são aguardados ansiosamente por hotéis, campings e restaurantes, após os fechamentos relacionados à crise do novo coronavírus.

Talvez a visita deles possa ser um pouco impulsionada. É assim que, este ano, promotores de turismo alemães estão elogiando calorosamente seus vizinhos por uma visita a um das 105 localidades conhecidas como as "Suíças alemãs". Como os suíços amam sua pátria, o mesmo poderia ser verdade para suas cópias no exterior, esperam as autoridades.

Nomes com origem já no período romântico

Às vezes é apenas uma colina, às vezes é uma região inteira que tem a Suíça como título. Os mais famosos são provavelmente a “Suíça saxônica”, a “Suíça francônica” e a “Suíça de Holstein”. Muitos dos nomes remontam ao período romântico. Era a época em que os viajantes alemães partiam para os Alpes e, por entusiasmo pelas paisagens que ali viam, transfiguraram os recantos particularmente belos de sua terra natal para a pequena Suíça.

A Suíça francônica apareceu como uma designação já em 1807 em um relato de viagem de Johann Christian Fick, de Erlangen. A bem conhecida Suíça saxônica deve seu nome a dois suíços: os pintores Adrian Zingg e Anton Graff exploraram a região por vários anos, a partir de 1766, e as formações rochosas lhes lembrava as do Jura, em sua terra natal. No entanto, eles não tinham a intenção de que sua designação da região como Suíça saxônica se tornasse sua marca. Expertos em marketing ajudaram aqui como em qualquer outro lugar.

Em 1885, um entusiasmado comerciante suíço abriu seu hotel "Holsteinische Schweiz" na pequena cidade de Krummsee, no norte da Alemanha. Mais tarde o nome foi adotado em toda a redondeza. E mesmo ali, onde o predominantemente plano Brandenburg tem algumas elevações, existem várias Suíças. O escritor berlinense Theodor Fontane já zombou de seus nomes em 1862 em suas "Wanderungen durch die Mark Brandenburg" (Caminhadas através do Mark Brandenburg): "As Suíças estão agora ficando cada vez menores, e por isso não há mais apenas uma Suíça da região Mark-Brandenburg, mas também uma Suíça de Ruppin.”

Para ser entendido como um elogio

Os suíços, com os poderosos Alpes diante de seus olhos, poderiam achar presunçosas as comparações com sua terra natal. Mas há simplesmente um grande elogio por trás das designações, diz Harald Henning, que dirige a filial suíça do Empresa de Turismo da Alemanha (DZT, na sigla em alemão) em Zurique. Afinal, todos as Suíças alemãs têm uma coisa em comum: "Há sempre uma beleza cênica especial por trás do nome Suíça", enfatiza ele. Isto não tem necessariamente nada a ver com romantismo alpino. Assim, uma paisagem fluvial com vinhedos, como a Suíça de Trarbach, também leva este título. No norte de Bremen, uma elevação de 30 metros é suficiente para torná-la “Altitude Suíça” ("Schweizer Höhe").

Um influenciador digital visita a "mini-Suiça"

Muitas dessas regiões ainda não aparecem no radar de férias suíço, mas vale a pena descobri-las, dizem os representantes do turismo alemão. Eles esperam uma retomada no setor: "O número de pernoites dos turistas suíços na Alemanha durante a crise do Corona em abril e maio foi apenas uma fração do nível do ano anterior", diz Harald Henning. Ele prevê que os fluxos de viagem retornem ao seu nível antigo, mas de forma lenta: "Perdemos meses importantes.” Este ano, certamente não será possível compensá-los. Principalmente porque atualmente as capacidades de acomodação de pernoite estão sendo aumentadas apenas de forma gradual - até que se chegue ao nível de antes da pandemia - devido às restrições prescritas. 

Montanhas cobertas de neve na chamada "Suíça saxônica", na Alemanha. Keystone / Matthias Hiekel

A campanha "Suíças na Alemanha" deveria ter começado na primavera, mas agora foi adiada para agosto, devido à crise. Um “influenciador” vai então viajar para 15 dessas mini-Suíças e apresentá-las em seus canais de mídia social. Apesar do foco digital, a campanha não se dirige apenas a um público alvo mais jovem, diz Henning. Os suíços de todas as faixas etárias já viajaram para a Alemanha. Os mais jovens tendem a ser atraídos por cidades como Berlim e Hamburgo, enquanto os mais velhos também são atraídos por áreas mais rurais e pelo litoral. O objetivo é simplesmente oferecer aos fiéis turistas suíços novas ideias.

No final, o que conta é o preço

Mas por que o povo suíço deveria viajar para a Alemanha por causa da natureza, quando seu país de origem oferece tanto a esse respeito? "A paisagem na Alemanha é mais ampla e variada do que na Suíça", é um argumento apresentado pelo especialista em turismo. Você não encontrará na Suíça litorais e extensas paisagens lacustres como em Mecklenburg-Vorpomern e Brandenburg.

Mas é claro que os preços mais baixos também atraem muitos suíços para a Alemanha nas férias, como confirma uma internauta em seu comentário sobre a campanha: "Eu realmente não me importo se existe uma pequena colina em algum lugar na Alemanha que seja tão impressionante para os nativos que eles reverentemente a chamam de 'Suíça'. Este ano, estamos de férias nos nossos vizinhos do norte por causa da excelente relação custo-benefício acima mencionada." Uma campanha extra sobre a mini-Suíça não teria sido necessária.

Turismo na Suíça

Em 2019, a indústria hoteleira suíça registrou 39,6 milhões de pernoites. Isto representa um aumento de 1,9% (+755.000) em relação a 2018, e um novo recorde. Isso significa que a tendência ascendente que vem sendo mantida desde 2017 continua. A demanda externa subiu 1,1% (+246.000) para um recorde de 21,6 milhões de pernoites. Com 17,9 milhões (+2,9% / +509.000), o número de pernoites doméstico na Suíça também foi maior do que nunca. Estes são alguns dos resultados definitivos do Departamento Federal de Estatística (BFS, na sigla em alemão).

Com uma demanda interna total de 17,9 milhões de pernoites (+509.000 / +2,9%) obteve-se um novo recorde, em 2019. Com 21,6 milhões de unidades (+246 000 / +1,1%), a demanda externa também foi maior do que nunca.

Turistas do continente americano garantiram um forte aumento nos pernoites (+234 000 / +7,7%). Os Estados Unidos foram responsáveis por um total de 2,5 milhões de pernoites. Este número foi atingido pela última vez em 1990, e representa um aumento de 222.000 pernoites (+9,8%) em relação a 2018, que é também o maior aumento absoluto de todos os países de origem.

A demanda da Ásia aumentou ligeiramente (+22 000 /+0,4%). Os maiores aumentos foram registrados por turistas dos mercados da China (excluindo Hong Kong) (+2,4%), Hong Kong (+22,9%) e China (Taiwan) (+23,7%). Eles geraram um total de 118.000 pernoites mais do que em 2018 (+6,9%). A demanda do Japão também aumentou (+6900 / +1,8%).

A procura europeia caiu ligeiramente (-26.000 / -0,2%). As maiores diminuições absolutas foram registradas para turistas da Itália (-32.000 / -3,5%) e Espanha (-29.000 / -6,0%). A demanda do Reino Unido (-11.000 / -0,7%) e da França (-8.800 / -0,7%) também foi reduzida. Em contrapartida, os hóspedes da Alemanha geraram um aumento (+34.000 / +0,9%). Um forte aumento foi registrado para visitantes da Bélgica (+26.000 / +4,3%) e da Holanda (+15 000 / +2,4%).

Oceania (+9.400 / +2,4%) e África (+6.000 / +2,1%) também registraram um aumento no número de pernoites.

Duração estável da estadia

O tempo médio de permanência em 2019 foi de 2,0 noites, da mesma forma que no ano anterior. Os hóspedes estrangeiros ficaram em média 2,1 noites, e assim permaneceram um pouco mais do que os suíços (1,9 noites). O cantão dos Grisões (sudoeste) registrou a maior estadia de todas as regiões turísticas com 2,6 noites, seguido por Valais com 2,3 noites. O menor tempo de permanência registrado foi na região de Friburgo, com 1,6 noites.

Fonte: Departamento Federal de EstatísticasLink externo

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