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Avalanches, o grande perigo das montanhas suíças

Resgate durante um exercício na estação de esqui de Les Diablerets, Cantão de Vaud, em dezembro de 2019. Keystone / Jean-christophe Bott

A Suíça tem uma longa tradição de proteção contra avalanches e foi o primeiro país a publicar um boletim de avalanche duas vezes ao dia. Mas até que ponto podemos prevê-las? 

Este conteúdo foi publicado em 23. dezembro 2020 - 09:00

Desde o século XIX, os Alpes suíços têm atraído turistas de todo o mundo. Com as férias de Natal se aproximando, o setor se prepara para um tipo diferente de estação de inverno. Devido à pandemia, há poucos turistas vindos do exterior e é necessário que as estações de esqui adotem protocolos rigorosos para evitar a propagação do Coronavírus.  

Tal situação excepcional, no entanto, não retira a importância do maior perigo natural das montanhas suíças: as avalanches.   

Como se forma uma avalanche? 

A forte queda de neve, a chuva, o vento, as mudanças de temperatura e a inclinação do terreno influenciam diretamente na estabilidade da camada de neve que cobre as montanhas. Quando tal estabilidade é prejudicada, a massa de neve desliza para baixo, resultando em uma avalanche. Até mesmo o peso de um esquiador pode ser suficiente para provocar uma avalanche. 

Devido ao aquecimento global, espera-se que haja mais neve que o normal nas regiões montanhosas. Segundo a Plataforma Nacional Suíça "Perigos Naturais", isso pode acarretar o desencadeamento de avalanches. 

>> O filme a seguir mostra imagens de avalanches que caíram na Suíça durante um período excepcional em janeiro de 2018:

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Desde quando a Suíça estuda as avalanches? 

O primeiro órgão central dedicado ao estudo sistemático das avalanches na Suíça foi criado em 1931 por iniciativa de representantes do turismo de inverno, empresas de transporte e usinas hidrelétricas, escreve o Instituto para Estudos de Neve e Avalanche (SLF). 

Em 1940, o exército estabeleceu o primeiro serviço de prevenção de avalanches, com estações de observação em diferentes locais da Suíça. O envolvimento de líderes militares não foi por acaso: um ano antes, uma avalanche em Lenk, no cantão de Berna, havia atingido uma companhia inteira de soldados. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o serviço de previsão de avalanches passou para o controle civil, mais precisamente para o recém criado SLF. 

Em 2018, o controle do perigo de avalanche realizado pela Suíça e pela Áustria foi considerado um Patrimônio Cultural Imaterial pela UNESCO. 

É possível prever uma avalanche? 

“No momento, não temos como prever detalhadamente quando e onde ocorrerá uma avalanche. Podemos apenas indicar o intervalo de tempo no qual avalanches podem ocorrer em determinada região”, afirma à swissinfo Thomas Stucki, responsável pela equipe “Avalanche e prevenção” do SLF. 

Desde a sua fundação, o instituto, com sede em Davos, publica um boletim de avalanches. Anteriormente divulgado uma vez por semana em rádios e jornais, o boletim – que celebrou dia 21 de dezembro o seu 75º aniversário – atualmente é publicado duas vezes ao dia nos meses de inverno. Acessível por smartphones, ele contém informações acerca das situações nos Alpes suíços, no Principado de Liechtenstein e no Cantão de Jura, no noroeste do país. “Nosso boletim de avalanches é similar àqueles de outros países alpinos. No entanto, por muito tempo a Suíça foi o único país a publicá-lo duas vezes ao dia” destaca Stucki, coordenador do Serviço Europeu de Alerta de Avalanche (EAWS). 

Como funciona o sistema de prevenção de avalanches? 

Na Suíça, existem mais de 500 quilômetros de estruturas de proteção – como, por exemplo, redes metálicas –, além de uma ampla zona de florestas, que protegem as cidades, as infraestruturas e as vias de comunicação. Na realidade, os Alpes são mais populosos que as outras regiões montanhosas. 

 Além das 193 estações de medição automática, o sistema de prevenção de avalanches também conta com uma extensa rede de observadores. Aproximadamente 200 funcionários treinados verificam constantemente a presença de neve fresca e reúnem informações em toda a Suíça, para depois repassá-las para a central de controle. “As redes de observadores também existem em outros países, porém o tamanho de nossa rede e o nível de treinamento e especialização dos funcionários é único", explicou Gian Darms, especialista da SLF, à swissinfo em 2018. 

Os dados recolhidos pelos observadores são analisados pela equipe do SLF, os quais, depois, redigem o boletim, utilizando modelos numéricos das condições meteorológicas e da camada de neve. Para definirem a intensidade do perigo em uma região, utiliza-se a divisão europeia padrão, que contém 5 graus de periculosidade. Tal escala é provavelmente “o resultado mais importante da colaboração europeia”, observa Thomas Stucki. 

Quais têm sido os números de vítimas? 

Na Suíça, de 1936 até hoje, duas mil pessoas já perderam suas vidas devido a uma avalanche.  Na região dos Alpes suíços como um todo, a média anual de mortos chega a cem, segundo o instituto SLF. 

Nos últimos vinte anos, 90% dos incidentes ocorreram fora das pistas de esqui. O número de mortos tem sido particularmente alto no cantão do Valais e no cantão dos Grisões. 

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Como mostra o gráfico, o número de vítimas da avalanche não diminuiu com o tempo, apesar de todas as medidas preventivas. Como isso pode ser explicado? “Atualmente, há muito mais pessoas nas montanhas. Além disso, hoje em dia o esqui não é mais praticado apenas no início do ano, e sim durante todo o inverno. Portanto, podemos dizer que, graças às medidas preventivas, o número de mortes permaneceu estável apesar do aumento de pessoas nas montanhas” aponta Thomas Stucki. 

Quais são as recomendações para quem vai às montanhas? 

A maior parte dos incidentes de avalanches são causados pela própria vítima ou por um membro de seu grupo, revela a SLF. Por isso, segundo Thomas Stucki, é importante frequentar o curso de formação para poder avaliar o perigo de avalanches de forma autônoma. Além da preparação correta e da utilização do equipamento adequado, o especialista também ressalta a importância de não se aventurar sozinho pelas montanhas.

Adaptação: Clarice Dominguez 

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