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Por que ainda esperaremos muito tempo pela vacina

Margaret Keenan entrou para a história quando se tornou a primeira pessoa a receber a vacina Pfizer/BioNtech no Reino Unido. Keystone / Jacob King

Alguns países já começaram suas campanhas de vacinação contra a Covid-19 e a Suíça foi o primeiro país a aprovar de forma definitiva uma vacina contra o coronavírus. No entanto, provavelmente ainda levará alguns anos para que sejam produzidas as doses necessárias para a vacinação em massa, tanto na Suíça quanto no resto do mundo.

Este conteúdo foi publicado em 22. dezembro 2020 - 11:00

Surgiu uma luz no fim do túnel da pandemia quando, no dia 8 de dezembro, uma idosa de 90 anos recebeu, no Reino Unido, a primeira dose da vacina Pfizer/BioNTech aplicada fora dos testes clínicos. Os fabricantes das vacinas realizaram em 10 meses algo que nunca havia sido feito em menos de quatro anos.

A Swissmedic, a agência reguladora suíça, foi a primeira a aprovar de forma definitiva a vacina da Pfizer e a campanha de vacinação na Suíça começa já esta semana em alguns cantões, com previsão de se estender a todo o país em 4 de janeiro. Apesar disso, não haverá disponibilidade para vacinação em massa imediatamente.

O governo suíço calcula que 75% da população terá sido vacinada no verão de 2021. No entanto, segundo a empresa de análise científica britânica Airfinity, que realizou uma projeção a pedido da SWI swissinfo.com, a vacinação em massa e a imunização da população talvez ocorram apenas no segundo semestre de 2022.

“Os resultados dos testes clínicos da Moderna e da Pfizer/BioNTech excederam as expectativas, mas precisamos ser realistas. Haverá dificuldades no caminho”, afirma Thomas Cueni, Diretor Geral da Federação Internacional das Associações dos Fabricantes Farmacêuticos, em uma declaração à imprensa feita no início do mês.

“Nos próximos meses, a vida continuará difícil na maior parte dos países”, acrescenta. Mesmo que as vacinas sejam aprovadas nos próximos meses, produzí-las e distribuí-las de forma segura e em larga escala é algo que demorará muito mais. Algumas razões pelas quais tal projeção é feita são as seguintes:

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Não há capacidade suficiente para atender à demanda

Os países já despacharam bilhões de dólares para encomendar mais de 11 bilhões de doses de vacinas — algumas das quais podem acabar se revelando ineficazes e sendo descartadas.

Os Estados Unidos foram os que mais encomendaram, com 800 milhões de doses asseguradas e uma opção para adicionar mais 1,6 bilhões de doses. O número real de pessoas contempladas por esses números é menor, visto que duas das principais opções de vacinas requerem duas doses.

Usando análise de dados para as projeções Covid-19s

As estimativas e projeções de dados utilizadas nesta matéria têm diferentes origens. Uma das principais fontes consultadas é a Airfinity, uma empresa privada especialista em informação e análise científica, localizada em Londres desde 2015. Ela fornece informações científicas em tempo real para o setor da saúde, governos, ONGs, acadêmicos e pesquisadores.

Em vez de consultar apenas uma única fonte, a empresa integra todas as principais fontes de dados em uma visão unificada e comparável. Os dados fornecidos pela Airfinity sobre a Covid-19 têm sido utilizados por grandes meios de comunicação como a Nature, o New York Times, a BBC e a Bloomberg.

As projeções da Airfinity sobre a imunidade de rebanho causada pela vacina levam em conta fatores como doses adquiridas pelos países, o cronograma para a produção das vacinas, a eficácia das vacinas, os locais de produção e distribuição para cada país, assim como o tempo esperado para a autorização. Tais projeções não consideram em seus cálculos a imunidade natural causada pela contaminação de Covid-19.

Outra fonte principal para esta matéria é a ferramenta de projeção baseada em probabilidade, desenvolvida pelo Centro para o Desenvolvimento Global (CDG). Ela estima que poderia demorar dois anos para produzir vacinas suficientes para imunizar 50% da população mundial “não-prioritária”. Além disso, talvez somente no meio do ano de 2023 que 75% da população global estaria vacinada.

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A Suíça assinou acordos com os fabricantes das três principais vacinas mais avançadas nos testes clínicos (Pfizer, Moderna e AstraZeneca), a fim de assegurar mais de 15.8 milhões de doses para 8.5 milhões de habitantes. O país também faz parte da Iniciativa COVAX – uma coalização global para a aquisição e distribuição equitativa das vacinas –, que fornecerá doses para 20% da população suíça. Com esses acordos, calculando o acesso à vacina por habitante, a Suíça encontra-se entre os dez países em melhor situação.

No entanto, devido ao fato de que as pré-encomendas das vacinas foram feitas por um número seleto de países mais ricos, tais números não refletem a demanda mundial real das 7.8 bilhões de pessoas do planeta.

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Segundo os últimos dados lançados pela Airfinity, os fabricantes das vacinas têm a capacidade de produzir cerca de 14 bilhões de doses

Em setembro, Adar Poonawalla, chefe executivo do Serum Institute of India, afirmou ao Financial Times que as farmacêuticas não estavam ampliando suas capacidades de produção rápido o suficiente e que, por isso, não haveria disponibilidade de vacina para toda a população mundial antes de 2024, no mínimo. O instituto é o maior produtor de vacinas do mundo, produzindo, por ano, 1.5 bilhões de doses de diferentes vacinas.

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AstraZeneca, Pfizer e Moderna estimam que, dentre as três vacinas, será possível produzir 5.2 bilhões de doses até o fim do próximo ano, o que atenderia a demanda de vacinação de um terço da população mundial. No caso de algumas vacinas, como a AstraZeneca, o número de pré-encomendas excede a capacidade de produção prevista.

A maior parte da capacidade de produção de tais empresas já está comprometida através de acordos e, consequentemente, não será distribuída igualmente ao redor do mundo. Não são conhecidos os critérios pelos quais as companhias darão prioridade a cada país no momento da distribuição de doses pré-encomendadas.

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De acordo com esses dados, os fabricantes que possuem a maior capacidade de produção não são, necessariamente, aqueles mais próximos de serem aprovados ou com a capacidade de produzir mais rapidamente. As vacinas mais avançadas, como a Moderna e a Pfizer, utilizam tecnologia mRNA e, logo, aplicam novas técnicas de fabricação, fazendo com que seja necessária a construção ou modernização de fábricas e linhas de produção.

Uma pesquisa feita com 100 fabricantes, publicada em junho pela Coalização para Inovações em Preparação para Epidemias, identificou que não há praticamente nenhuma capacidade de produção para vacinas com tecnologia mRNA. Por isso, apesar de tais vacinas serem as mais avançadas nos testes clínicos, não se espera que consigam atingir a maior parte da população mundial em breve.

O Serum Institute, na Índia, tem focado em vacinas virais mais convencionais e disse que não será capaz de produzir vacinas com tecnologia mRNA antes do próximo ano. O instituto já assinou acordos para a fabricação das vacinas da AstraZeneca e Novovax, o que explica os maiores níveis de produção projetados para tais vacinas. Ele também assinou acordos com a COVAX para a produção de 200 milhões de doses de vacinas, destinadas a países de baixa e média renda, custando o máximo de três dólares por dose.

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Moderna e BioNTech estão contando com grandes empresas farmacêuticas para impulsionar a produção de doses. A empresa suíça Lonza instalou quatro linhas de produção da vacina Moderna, três das quais estão localizadas em Visp, no cantão do Valais, no sudoeste da Suíça, e a quarta nos Estados Unidos. Dentre essas quatro linhas de produção, será possível fabricar até 400 milhões de doses.

A Lonza produz os ingredientes ativos da vacina, que são a parte mais complexa, os quais, por sua vez, são enviados para empresas parceiras selecionadas pela Moderna para a finalizar o processo. Dentre as empresas parceiras, estão a Catalent, nos Estados Unidos, e a ROVI, na Espanha. Contudo, ainda não se sabe com precisão qual a capacidade de finalização de tais empresas.

De acordo com a informação fornecida pela Airfinity à SWI swissinfo.ch, as máquinas enchem milhões de frascos e seringas, que têm, então, sua qualidade verificada manualmente. Muitas fábricas, atualmente, podem finalizar milhares de doses por hora, mas quando há uma necessidade imediata de bilhões de doses, nem mesmo as máquinas mais ágeis são rápidas o suficiente para atender à demanda.

A Janssen Vaccines, subsidiária da Johnson e Johnson localizada na Suíça, também está envolvida no processo de enchimento estéril e na entrega de sua vacina nas fases um e três. Segundo o seu porta-voz, outros testes clínicos, programados como parte do processo mais amplo de aprovação da vacina, utilizarão amostras vindas da empresa localizada em Berna.

A construção de novos locais de fabricação de vacinas pode levar de cinco a dez anos e custar bilhões dólares.

Ativistas da saúde pública têm pleiteado que as companhias liberem o acesso às tecnologias de suas vacinas, a fim de facilitar sua produção em outros locais, principalmente nos países de baixa renda, aumentando a capacidade de produção global.

Além disso, os países e as empresas também estão investindo em diferentes vacinas, uma vez que vacinas de segunda geração são frequentemente mais eficazes que as de primeira geração, segundo o Centro para Desenvolvimento Global.

“Nós precisamos ser prudentes em relação a comprometer toda a capacidade de produção com os primeiros fabricantes. Enquanto muitas fábricas podem produzir diferentes vacinas, a mudança de uma produção à outra pode ser lenta e complexa” afirma o CDG em um relatório.

Reinhard Glück, que trabalhou no desenvolvimento de vacinas por 30 anos, inclusive na antiga empresa suíça Berna Biotech, disse à SWI swissinfo.ch que, na indústria farmacêutica, sempre que um produto superior entra no mercado, as versões menos efetivas param de ser utilizadas.

A produção de vacina demora muito tempo

A processo de produção em si demora muito tempo. A duração desse processo depende tanto do tipo de vacina quanto da velocidade na qual as autoridades dão andamento às verificações de segurança, que, segundo algumas estimativas, podem ser responsáveis por 70% do tempo de produção.

Tem sido amplamente divulgado que a produção de vacinas mRNA é mais rápida e mais barata que vacinas que utilizam o DNA de adenovírus, como a AstraZeneca, e vacinas com proteínas recombinantes, como a desenvolvida pela Sanofi/GSK. De acordo com especialistas entrevistados pela swissinfo.ch, um lote dessa última pode demorar até seis meses para ser produzido.

As vacinas de mRNA atualmente utilizam uma aplicação de duas doses. Johnson e Johnson informou à SWI swissinfo.ch que, enquanto sua vacina pode ser mais difícil de produzir, ela apresenta a grande vantagem de utilizar apenas uma dose. Tal tecnologia já é utilizada na produção de vacinas contra Zika e Ebola.

Por que há pouca produção de vacina da Suíça?

A Suíça é um importante centro farmacêutico e biotecnológico. Apesar disso, poucas vacinas são produzidas no país. Mas nem sempre foi assim. Nos anos 90, a cada poucos segundos alguém recebia uma injeção de uma vacina produzida pela Berna Biotech. As origens da empresa têm mais de 100 anos e remontam ao Swiss Serum and Vaccination Institute.

Em 2006, a empresa holandesa Crucell comprou a Berna Biotech, sendo posteriormente ela mesma comprada pela Johnson e Johnson (J&J). Parte do antigo local de produção da Berna Biotech é utilizado agora pela subsidiária da J&J, Janssen Vaccines, para pesquisar a vacina para Covid-19.

Vacinas são complexas e não muito rentáveis. É porque isso que empresas como a Novartis abandonaram o setor de vacinas e focaram em áreas mais lucrativas, como a oncologia.

Especialistas de saúde na Suíça alertaram para o congestionamento no fornecimento de vacinas devido à baixa capacidade de produção. Em uma entrevista na televisão pública suíça (SRF), o economista da saúde Tilman Slembeck, da Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique, afirmou que “É uma ilusão achar que, em um momento de crise, é possível conseguir todo o necessário do exterior. Todos os países priorizam a si mesmos no que diz respeito às vacinas”.

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Cada etapa da produção da vacina pode precisar de até 450 controles de qualidade. Qualquer problema com a formulação, em qualquer estágio, pode resultar no descarte de um lote inteiro de vacinas. De acordo com a Lei de Produtos Terapêuticos, todos os lotes de vacinas comercializados na Suíça devem ser testados por um laboratório autorizado antes de serem distribuídos. Todo mês, a agência reguladora Swissmedic atualiza a lista de lotes aprovados. 

O processo é tão meticuloso que as vacinas geralmente são produzidas apenas em uma única fábrica, e cada lote deve ser tratado como um novo produto, para fins de regulamentação. Philipe Paroz, microbiólogo que trabalhou com controle de qualidade de vacinas na Berna Biotech, comparou o processo ao funcionamento de uma cozinha. “Se você está preparando maionese em casa, não pode garantir que a mesma receita funcionará na cozinha do seu vizinho. O mesmo se aplica às vacinas”. 

Há poucos materiais e técnicos 

O congestionamento também pode acontecer em diferentes etapas. O Wall Street Journal recentemente relatou que a Pfizer diminuiu suas metas de produção para a vacina de Covid-19 devido à falta de materiais para sua linha de produção. 

Em entrevista, o CEO da Pfizer, Albert Bourla, afirmou que “se houvesse mais máquinas disponíveis, mais tecnologia e mais mateirais, nós poderíamos produzir dois ou três bilhões de vacinas, ao invés de 1.3 bilhões. No momento, estamos utilizando toda a nossa capacidade e a de nossos fornecedores, além de termos procurado ao redor de todo o mundo por pessoas qualificadas para o trabalho”. 

Em um e-mail para a SWI swissinfo.ch, a porta-voz da Lonza, Sanna Fowler, disse que “os possíveis congestionamento em nossa parte da produção são devidos à falta de equipamento e material necessário, assim como ao difícil acesso a empreiteros e à contratação e treinamento de equipes”. No entanto, ela afirma que a empresa está viabilizando o caminho para atingir suas metas e que espera-se que a produção seja iniciada, em Visp, antes do fim do ano. 

Matéria prima e equipamentos contemplam desde reatores biológicos, equipamentos de filtração e cromatografia até máquinas de enchimento e frascos de vidro. Há pouca informação acerca do volume global de tais materiais; a China é responsável pela maior parte da produção de frascos.  

A quantidade de mão de obra também pode ser responsável por congestionamento. Pode ser necessário mais de 50 técnicos treinados para realizar o controle de qualidade de vacinas biológicas, enquanto apenas um é necessário para o controle de medicamentos. 

Distribuição ao redor do mundo é um desafio logístico 

Uma vez que as vacinas estejam prontas, transportá-las para hospitais e clínicas de países com diferentes infraestruturas e condições climáticas é um desafio. 

Vacinas de mRNA são mais fáceis de desenvolver e produzir, porém seu transporte e administração são mais difíceis, visto que precisam ser mantidas a temperaturas extremamente frias. A vacina da Pfizer, por exemplo, necessita ser armazenada a temperaturas iguais ou abaixo de 70 graus Celsius. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que até metade das vacinas são descartadas todo ano, frequentemente devido a temperaturas inadequadas de armazenamento.  

A empresa suíça Skycell desenvolveu recipientes que monitoram e regulam a temperatura, preservando, assim, a estabilidade das vacinas. 

Diversas empresas afirmam ter termômetros, bem como tecnologias que monitoração, a fim de manter as vacinas em temperaturas adequadas. Ainda assim, a questão da temperatura mostra-se preocupante para Glück, que atualmente assessora a empresa Spciona no desenvolvimento da sua vacina para Covid-19. “Nós precisamos de uma vacina que seja estável também em temperaturas mais quentes”, afirma. “Uma vacina que necessita ser mantida em uma temperatura de menos 20 graus Celsius não é uma vacina acessível”. 

Johnson & Johnson afirma que planeja utilizar para as vacinas a mesma linha de distribuição com controle de temperatura que ela já utiliza atualmente para transportar tratamentos para câncer e doenças imunológicas. 

E como os países realizaram a vacinação em massa quando os lotes chegarem? O governo Suíço está montandos centros e planeja vacinar 70.000 pessoas por dia, priorizando inicialmente aquelas de grupos de risco. Segundo o planejamento, a vacinação será realizada de maneira gratuita. 

O diretor regional da OMS na África recentemente afirmou que os países no seu continente ainda estão longe de estarem prontos para iniciar a vacinação, uma vez que eles ainda não identificaram os grupos prioritários e tampouco desenvolveram ferramentas para monitorar e divulgar os resultados. 

Já que, para atingir a imunidade de rebanho, pelo menos 60% da população necessita ser vacinada, há, ainda, a preocupação de que o ceticismo em relação à vacina prejudique a campanha de vacinação em alguns lugares do mundo.

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Ainda há muito para ser respondido 

Ainda há muito que não está claro sobre a escala e a velocidade da aplicação das vacinas. Mesmo que uma delas seja aprovada pelos controles de qualidade, outras experiências de desenvolvimento de vacinas já mostrou que muito ainda será descoberto ao longo do caminho, principalmente no que diz respeito aos seus efeitos em diferentes grupos demográficos. 

Alguns especialistas também criticaram o modelo dos teste clínicos, que não investigaram se as vacinas previnem as formas graves da Covid-19 e a sua transmissão. 

Empresas e autoridades asseguraram que não há brechas nos controles de qualidade. Ainda assim, não há nenhum estudo revisado por pares disponível acerca das vacinas de Covid-19. No dia 1º de dezembro, o instituto médico regulador da Suíça, a Swissmedic, afirmou que não possuia informações suficientes para autorizar as três diferentes vacinas encomendadas pelo governo. 

Além disso, há, ainda, a questão acerca da eficácia da vacina frente às mutações sofridas pelo vírus, que já foram identificadas em partes da Europa. Também não se sabe quanto tempo a imunidade causada pela vacina dura, bem como se e depois de quanto tempo as pessoas precisarão de uma dose de reforço. 

“Muita coisa pode dar errado e as empresas tendem a não falar sobre isso”, afirma Anthony McDonnell, um analista de políticas na equipe de saúde do Centro para o Desenvolvimetno Global. 

Glück também se preocupa com o fato de que, uma vez que o investimento nas vacinas foi gigantesco, elas tenham se tornado “muito importantes” para falhar. 

“Os contribuintes investiram tanto nas vacinas que há uma sensação de que seus desenvolvimentos precisam continuar até o fim, não importa o que aconteça. Esse é o meu medo”.

Adaptação: Clarice Dominguez

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