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Pandemia: os suíços recuperam o moral

A vacinação obrigatória não convence os entrevistados, mesmo para o pessoal médico em contato direto com o coronavírus. Keystone / Alessandro Crinari

Mesmo estando chuvoso, o verão parece influenciar a percepção dos suíços sobre a pandemia. Da mesma forma que no ano passado, uma pesquisa do Instituto Sotomo realizada em nome da Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão (SRG SSR) mostra que o moral da população melhorou neste período. Contudo, deve-se notar que esse estado de espírito depende em grande parte da evolução do número de infecções e, portanto, da vacinação.

Este conteúdo foi publicado em 12. julho 2021 - 15:15

Pesquisas anteriores mostraram grandes variações no moral da população, com uma onda de otimismo em junho de 2020, um momento de desânimo em janeiro de 2021 e outro pequeno episódio de tristeza em março. Mas agora o otimismo parece ter voltado.

Sentimento de superioridade

Como sabemos disso? Simplesmente examinando as respostas a uma série de perguntas feitas pelos entrevistadores. Constata-se particularmente que a evolução da economia é percebida como muito melhor e que os entrevistados têm menos medo de perder seus empregos ou sofrer consequências financeiras.

“O andamento da campanha de vacinação, a diminuição do número de casos e a manutenção das medidas de abertura contribuíram mais uma vez para uma melhoria significativa na percepção da situação”, observa o Instituto Sotomo.

Após uma crise de incertezas no outono passado, quando a Suíça se deparou com um grande aumento nas infecções, a população está de novo confiante. Aproximadamente três quartos (73%) dos entrevistados acreditam que a Suíça está se saindo melhor do que o resto da Europa, como já era o caso no início da pandemia. É por isso que os pesquisadores afirmam que há o retorno de um certo sentimento de superioridade “tipicamente suíço”.

Reaparece a confiança no governo

O surgimento da segunda onda da pandemia, no outono, havia abalado fortemente a imagem do governo. Todavia, o aumento da confiança pública no Conselho Federal, que já era perceptível em março, foi confirmado nessa nova pesquisa. Atualmente, mais da metade dos entrevistados (54%) confia nas ações do governo.

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“O fato de o Conselho Federal ter lidado com a questão no início do ano e de as medidas adotadas terem levado a uma redução maciça do número de casos e ao descongestionamento dos hospitais tem nitidamente um efeito positivo sobre a imagem do governo federal”, comenta o Instituto Sotomo.

As medidas de abertura previstas pelo governo são especialmente bem-vistas. Enquanto em março quase metade dos entrevistados (46%) considerava as medidas de isolamento exageradas, atualmente apenas um terço (33%) deles possui essa opinião.

Pouca simpatia por medidas coercitivas

O atual bom humor dos suíços se deve em grande parte à diminuição do número de infecções, hospitalizações e mortes. No entanto, esses resultados podem não durar muito. Já hoje, várias regiões e países com a variante Delta estão impondo novas medidas de restrição.

Uma alta taxa de vacinação parece ser a melhor maneira de evitar o surgimento de uma nova onda. Mas na Suíça, após um impulso inicial, a campanha de vacinação está desacelerando. De acordo com a pesquisa, 60% dos entrevistados já receberam pelo menos uma dose e 3% estão prontos para serem vacinados imediatamente. Por outro lado, 12% preferem esperar e 25% não pretendem se vacinar.

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Por isso, alguns pensam em tornar a vacinação obrigatória. Mas essa ideia não é popular entre o público. Os entrevistadores perguntaram se a vacinação deveria ser obrigatória para os profissionais da saúde, um grupo populacional que está particularmente em risco. 38% dos entrevistados se opuseram totalmente, 12% se opuseram, 5% não tinham opinião, enquanto 28% eram majoritariamente a favor e 20% totalmente a favor.

Uma outra ideia para pressionar a vacinação seria fazer as pessoas não vacinadas pagarem caso adoeçam de Covid. Mas essa ideia também não é atraente: ela é rejeitada por mais da metade (59%) dos entrevistados.

“Não é surpreendente que as pessoas que não querem ser vacinadas não queiram contribuir com os custos”, comenta o Instituto Sotomo. “O interessante é que a opinião se divide mesmo entre aqueles que estão dispostos a se vacinar: 26% são claramente a favor e 25% são majoritariamente a favor de que os não vacinados contribuam com os custos do tratamento. Os demais entrevistados são indecisos ou contrários.”

Uma chave indispensável

Até que a situação volte ao normal, um certificado Covid com base na vacinação, um teste negativo ou uma recuperação da Covid parecem ser a chave para participar de grandes eventos ou para viajar ao exterior.

A maioria dos entrevistados (61%) é a favor do certificado. Os contrários representam 41% das opiniões expressas, enquanto 4% não têm opinião. A ideia de que o certificado é uma forma de tornar a vacinação obrigatória é o argumento mais frequentemente apresentado pelos opositores.

A pesquisa

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Sotomo em nome da Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão (SRG SSR), da qual SWI swissinfo.ch faz parte.

Esta é a oitava pesquisa sobre o tema da pandemia desde março de 2020.

A pesquisa foi realizada online entre 1 e 5 de julho com 23.337 pessoas com 15 anos ou mais vivendo em todas as regiões linguísticas do país.

Como a participação na pesquisa foi voluntária, os pesquisadores utilizaram ferramentas de ponderação estatística para torná-la representativa. A margem de erro anunciada é de +/- 1,3 pontos.

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Adaptação: Clarice Dominguez

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