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O Mediterrâneo, imortalizado por Frédéric Boissonnas

Auto-retrato com um aparelho binocular, 1900, impressão em brometo de prata gelatinosa montado em papelão © Bibliothèque de Genève

Há um século, o fotógrafo suíço Frédéric Boissonnas viajava seguindo os passos de Odisseu, que passou dez anos lutando contra o Mediterrâneo. Uma exposição em Genebra comemora agora sua viagem e suas obras.

Este conteúdo foi publicado em 28. janeiro 2021 - 15:30

A essência está no nome: o Mediterrâneo está no meio, entre mundos diferentes; é uma passagem que conecta tanto quanto divide. O poeta grego Homero criou um monumento épico ao Mediterrâneo com sua Odisseia, uma história que ainda hoje mantém sua força. A jornada do herói através da imensidão do mar é também uma odisseia através da imensidão da alma. É preciso lutar para voltar para o porto seguro do lar.

A história cultural ocidental está indissoluvelmente ligada ao Mediterrâneo. Uma exposição no Musée RathLink externo, em Genebra, planejada para durar até 31 de janeiro*, testemunha isso. "Uma Odisseia Fotográfica: Fred Boissonnas e o Mediterrâneo" traça os passos do fotógrafo genebrino que, há um século, capturou o infinito azul de forma atemporal.

Frédéric Boissonnas (1858-1946) já havia conquistado um certo reconhecimento na Suíça e não era mais um jovem quando alcançou o sucesso internacional. Vindo de uma família de fotógrafos, ele havia ocupado o estúdio de seu pai em Genebra e era conhecido no exterior quando sua carreira recebeu um novo impulso graças a viagens à Grécia e a outros países do Mediterrâneo.

Boissonnas dava grande importância a preparativos cuidadosos e minuciosos. Graças ao constante intercâmbio com estudiosos, artistas e políticos, sua obra  alcançava uma visão única sobre um país e seu povo.

Na Grécia, seu trabalho também foi muito valorizado pelos políticos, que o utilizaram para melhorar a imagem do país no exterior. Isso em uma época em que a Grécia estava tentando ampliar seu território nacional usando uma política expansionista. Eles queriam que Boissonnas retratasse seus novos territórios, que, do ponto de vista grego, haviam sido "liberados". Isso resultou em numerosas missões para Boissonnas, que, apesar de sua fama artística, era atormentado por preocupações financeiras e tinha uma família de nove pessoas para sustentar.

O alpinista

Boissonnas também era um homem da montanha. Na Suíça, ele havia produzido importantes obras nos Alpes do Valais, e também era conhecido por suas fotos espetaculares do Mont Blanc. Mais tarde, ele ganhou fama adicional na Grécia quando realizou a primeira subida do Monte Olimpo em agosto de 1913 com o pintor genebrino Daniel Baud-Bovy e o guia de montanha grego Christos Kakkalos.

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Boissonnas foi mais tarde contratado pelo rei egípcio Fuad I na recém-conquistada independência do Egito da Grã-Bretanha, em 1922. O resultado foi uma série de imagens da Península do Sinai, onde ele retratou em fotografias o êxodo como descrito na bíblia.

Boissonnas em ação no Alto Egito, 1929-1930 © Bibliothèque de Genève

Também aqui, a ideia era que as imagens das ruínas promovessem sua ressurreição na era moderna; o meio relativamente novo da fotografia foi colocado a serviço da construção do Estado.

Boissonnas se interessava muito pelas chamadas pessoas comuns: uma visão etnológica da vida cotidiana daqueles que viviam à sombra das ruínas de seus antepassados era liberada de preconceitos e parecia emprestar a esses habitantes uma dignidade especial. 

As paisagens marinhas também estão no centro da exposição, de Gibraltar às ilhas gregas e da Itália ao norte da África. O papel do mítico Mediterrâneo na obra de Boissonnas é central para entender sua importância no desenvolvimento da fotografia.

*Devido à pandemia de Covid-19, o Musée Rath permanecerá fechado até novo aviso. A exposição funcionará até o final de janeiro; ainda não foi tomada nenhuma decisão sobre a sua prorrogação.

Adaptação: Fernando Hirschy

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