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O Afeganistão está à beira de uma pobreza generalizada

Dado o estado de violência e incerteza política no Afeganistão, é difícil imaginar o que o futuro reserva para o país. Com um sistema de governança falido, o medo e a incerteza são agora companheiros diários da população.

Este conteúdo foi publicado em 04. outubro 2021 - 15:30

Achim Steiner é administrador do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas

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E a insegurança não é tudo: dependendo da evolução da situação, o país poderá enfrentar, além da tragédia que atualmente vive, uma queda do PIB de até 13% em meados de 2022. Esse percentual pode parecer modesto dado a dimensão da crise do país, mas quando se traduz o índice para a realidade do dia a dia das pessoas, a projeção assume uma importância enorme.

De acordo com uma análise recente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), uma queda de 10 a 13% do PIB poderia colocar o Afeganistão à beira da pobreza geral - com uma taxa de até 97% - apesar dos avanços alcançados nos últimos 20 anos.

Em 20 anos, o Afeganistão fez um progresso tremendo. A renda per capita mais que dobrou desde o início dos anos 2000. A expectativa de vida ao nascer aumentou nove anos. Os anos de escolaridade cresceram de seis para dez. O número de alunos aumentou de 800.000 para mais de 8 milhões, dos quais mais de 3 milhões de meninas ingressaram no sistema educacional.  

Mas hoje, com o aumento dos preços dos alimentos e uma economia estagnada, a insegurança alimentar está aumentando dramaticamente e as condições de saúde e meios de subsistência estão piorando, podendo agravar os problemas como a Covid-19.

Nos últimos anos, o Afeganistão também fez uma grande transformação no mundo do trabalho para as mulheres. Embora muitas vezes elas se limitassem aos serviços relacionados ao cultivo da papoula e à colheita do ópio, agora elas representam mais de um quinto do serviço público e um quarto dos membros do Parlamento.

Devemos pegar a melhor parte do que foi semeado, protegê-la e desenvolvê-la. Agora é a hora de mostrar coragem e visão, de fazer escolhas sábias e de descobrir como proteger os meios de subsistência, os serviços básicos, a segurança das pessoas e os direitos humanos.

A situação de pobreza generalizada pode e deve ser evitada. Devemos apoiar os ganhos econômicos, sociais e ambientais locais que se fortaleceram nos últimos 20 anos.

Para manter as famílias mais vulneráveis acolhidas e os serviços básicos vivos, podemos contar com as redes econômicas locais, que são essenciais para que o país continue a funcionar. Sabemos por experiência o que isso significa: apoiar os esforços das comunidades em termos de emprego e proteção social por meio de uma renda básica. Ajudar os agricultores fornecendo-lhes sementes, fertilizantes e soluções contra inundações e secas, e continuar a manter a saúde e serviços de educação por meio de subsídios salariais para professores e profissionais de saúde.

Adaptação: Clarissa Levy

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