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Finanças

Mercado financeiro suíço se reinventando

O setor financeiro vive uma nova onda de tecnologia digital capaz de transformar as finanças pessoais e o mercado financeiro em todo o mundo.

Este conteúdo foi publicado em 14. junho 2021 - 15:00
Skizzomat (ilustração)

A pandemia de Covid-19 destacou ainda mais a dependência de uma infraestrutura digital que se torna cada vez mais complexa. Na vanguarda da mudança: o blockchain, também conhecido como tecnologia DLT (do inglês Distributed Ledger Technologie).

Como funciona? De forma resumida, blockchain é um sistema que permite rastrear o envio e recebimento de alguns tipos de informação pela internet. São pedaços de código gerados online que carregam informações conectadas – como blocos de dados que formam uma corrente – daí o nome. 

O blockchain basicamente divide uma informação em pequenos bloco, que individualmente, ganham uma camada extra de proteção. Depois, essa partes se juntam no destino final e são decodificadas, quando, somente aí, emitem os dados completos registrados na origem. Essa descentralização dificulta muito a interceptação das mensagens por terceiros, por exemplo.

É esse sistema que permite o funcionamento e transação das chamadas criptomoedas, ou moedas digitais.

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O novo instrumento sacudiu o setor financeiro da Suíça. Seus bancos temem perder mercados para as novas moedas digitais, pois estas permitem contornar os fluxos tradicionais de dinheiro. Ao mesmo tempo elas geram novas possibilidades de investimento: as chamadas "criptomoedas" poderiam dar um novo impulso aos bancos pessoais, permitindo o acesso de um maior número de pessoas a serviços financeiros mais eficientes.

A Suíça tem muito a ganhar, mas também a perder. Os bancos administram uma fortuna de 2,3 trilhões de dólares em contas offshore, mais do que qualquer outro país. Seria um terço dos ativos internacionais conhecidos globalmente, segundo a empresa de consultoria Boston. Apenas o setor financeiro é responsável por 10% do PIB nacional.  

A chegada em Genebra do projeto "Diem" (anteriormente conhecida como Libra), uma criptomoeda baseada em blockchain autenticado desenvolvido pela plataforma de mídias sociais Facebook foi um momento decisivo. Sob enorme pressão política, a grande plataforma de mídia social desistiu de conduzir o projeto na Suíça e o levou de volta aos Estados Unidos.

Diem deixa para trás um órgão regulador que está se familiarizando com os novos tipos de ativos financeiros e atualiza as leis para permitir que o setor financeiro e os escritórios de advocacia possam trabalhar com o blockchain. O Banco Nacional da SuíçaLink externo (banco central do país) já estuda o desenvolvimento de uma versão digital do franco suíço.

Representantes da Agência Reguladora do Sistema Financeiro Suíço (FINMALink externo) encontra regularmente jovens empresários do setor de criptomoedas para discutir como proteger os pequenos investidores no conturbado mundo das finanças digitais. O órgão também concedeu licenças para os agentes financeiros especializados em ativos digitais.

O que esses atores concordam é que a Suíça precisa ser um líder global das criptomoedas e do blockchain. Se essa oportunidade for desperdiçada, a Suíça perde espaço no mercado financeiro, especialmente se ativos digitais forem transferidos para outros países. 

Inúmeras startups são apoiadas por sistemas de incubadoras, onde há apoio de consultores e equipes jurídicas especializadas. O país também abriga fundações especializadas que abrigam os ativos significativos de alguns dos mais importantes na área de blockchain. 

Como jornalista da swissinfo.ch, acompanho o setor há muitos anos. Assine nossa newsletter em inglês para se mantar atualizado sobre os últimos desenvolvimentos no setor financeiro.

Adaptação: Alexander Thoele

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