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Genebra internacional

Genebra continua o centro do mundo?

Genebra é um importante centro do multilateralismo. Mas a pressão crescente sobre as organizações internacionais e os desafios trazidos pela pandemia de Covid-19 colocam em risco a estratégia de colocar todos na mesa para discutir os problemas globais.

Este conteúdo foi publicado em 15. janeiro 2022 - 10:00
Skizzomat (ilustração)

A pandemia colocou duas das instituições de Genebra particularmente no centro das atenções: a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Enquanto o mundo luta contra a pandemia, OMS entra em ação. Alguns criticam sua estratégia de gerir a crise e até reclamam por reformas. Seus contínuos apelos por equilibrio na distribuição mundial da vacina não impediram que os países mais ricos reservassem para si a maior parte delas. Enquanto isso, enfermeiros e médicos em  muitos países em desenvolvimento continuam não vacinados.

Em uma assembléia extraordinária em dezembro de 2021, países-membros da OMS se comprometeram a elaborar um novo tratado global para lidar com as futuras pandemias, mas é provável que as negociações durem pelo menos três anos.

A OMS, um órgão da ONU sediado em Genebra, foi fundada em 1948 para promover o cuidado universal da saúde, estabelecer padrões e coordenar a resposta do mundo às situações de emergências. 

O financiamento do órgão internacional é uma questão polêmica.

Uma das iniciativas da OMS pretende levar vacinas contra o Covid-19 aos países em desenvolvimento foi o programa COVAXLink externo, lançado em cooperação com a Gavi (Aliança pelas Vacinas) e a Coalizão para Inovações no Combate a Epidemias (CEPI).  Porém COVAX tem sido forçadao a rever continuamente seus objetivos. Um dos maiores desafios é o acesso às vacinas.

OMC e vacinas

A Organização Mundial do Comércio (OMCLink externo), tambem sediada em Genebra, também sofre pressão por reformas. Um dos seus debates mais controversos em 2021 também foi desigualdade na distribuição das vacinas.

A OMC tem 164 membros e uma longa história:

Em 2021 foi nomeada a primeira mulher e também líder africano para presidir a organização: Ngozi Okonjo-Iweala (Nigéria).

Um centro de organizações multilaterais

Genebra abriga não só a sede européia da Organização das Nações Unidas (ONU) e 40 organizações internacionais, mas também de mais de 700 ONGs e centros pesquisa, além de 177 missões diplomáticas. 

Mais recentemente, juntaram-se a eles equipes de investigadores e especialistas em justiça internacional baseados na ONU para reunir e preservar provas e preparar possíveis casos criminais futuros sobre crimes internacionais graves cometidos na Síria, Mianmar e Sri Lanka.

A forte concentração de organizações internacionais, ONGs e centros de pesquisa em Genebra dá origem ao que se denomina um "eco-sistema fértil" para a pesquisa e tomada de decisões internacionais. Enquanto algumas ONGs e até mesmo a ONU podem estar ameaçadas pelos efeitos colaterais da pandemia, o governo suíço apóia a criação de novas "plataformas" como a Iniciativa Digital da SuíçaLink externo e o Antecipador de Ciência e Diplomacia de GenebraLink externo (GESDA).

A GESDA, uma fundação lançada em 2019 com financiamento do governo suíço, cidade e cantão de Genebra, realizou sua primeiro encontro em outubro de 2021.

Paz, direitos humanos e justiça internacional continuam sendo os principais focos. De Genebra, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e o Escritório do Alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, apoiados por muitas ONGs e pesquisadores, promovem e protegem os direitos humanos em todo o mundo.

Diplomacia digital

O Palácio das Nações, edifício que abriga a ONU em Genebra, vive geralmente reuniões com diplomatas, delegados e jornalistas de todas as partes do mundo, mas durante o primeiro "lockdown", na primavera de 2020, seus corredores se esvaziaram. Muitas de suas atividades ocorrem até hoje via internet. É possível que essa nova forma de trabalho se estabeleca até após a pandemia.

Pressões financeiras também são uma enorme fonte de preocupação para as organizações em Genebra. A situaçao se agravou recentemente durante a pandemia. Os limites do sistema multilateral estão sendo testados até seus limites. Agências da ONU, organizações internacionais e ONGs se esforçam para enfrentar as restrições.

Analistas consideram que grandes agências internacionais possam transferir suas atividades para cidades com um custo de vida mais reduzido. Porém Genebra continua sendo atrativa, pois é onde estão doadores, decisores e especialistas. "Enquanto a ONU e o sistema internacional estiverem abertos à sociedade civil, Genebra se mantém interessante como centro", declarou Julien Beauvallet, chefe do Serviço de Acolhimento em Genebra (CAGI).

Foco em 2022

O principal tema de discussão em 2022 em Genebra continua sendo a pandemia de Covid-19 e os esforços da OMS de resolver a crise e preparar o mundo para as próximas pandemias.

swissinfo.ch continua a cobrir os debates em torno da OMS e OMC. O ano começa com duas grandes reuniões dos órgãos. 

Também não negligenciaremos o papel de Genebra na questão dos direitos humano. E a contribuição humanitária mais famosa da Suíça: o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que acaba de nomear sua primeira mulher presidente, Mirjana Spoljaric Egger. A partir de outubro ela assume o cargo. 

Adaptação: Alexander Thoele

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