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Férias na era digital: ainda podemos nos desconectar?

Os aplicativos de mensagens instantâneas têm um poder de atração incrível, mesmo durante as férias. © Keystone / Christian Beutler

O notebook na mala, o smartphone na praia e uma olhadinha nos e-mails de trabalho de vez em quando: relaxar e se desconectar não é tão simples hoje em dia. Veja o artigo de opinião de Sven Bisquolm, especialista em transformação digital.

Este conteúdo foi publicado em 13. outubro 2021 - 12:00
Sven Bisquolm, Higgs.ch
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As férias acabam de chegar ao fim. Muitos de nós partimos para desfrutar a sensação da areia sob nossos pés, para encher nossos pulmões com o ar fresco das montanhas ou simplesmente para usufruir de alguns dias de preguiça na varanda. Queríamos nos afastar do estresse da vida cotidiana. Mas, com ritmo frenético de nossa sociedade digital, isso ainda é possível?

O mundo digital é onipresente em nossa vida privada, bem como no trabalho. Durante as férias, as redes sociais ocupam um lugar de destaque. Afinal, queremos mostrar a todos os nossos seguidores como é belo o pôr-do-sol em Santorini, como é delicioso o sorvete em Roma ou como ficamos bem diante daquele lago de montanha no Engadine. A exposição, os retoques e um texto adequado exigem tempo, mas tudo bem: sempre é possível aproveitá-los mais tarde na vida real.

Adoraríamos nos desconectar, recarregar nossas baterias e descansar, a fim de estarmos novamente aptos para futuros desafios. Infelizmente, não é mais tão simples assim. Estamos acostumados a receber constantemente uma pequena dose de dopamina – e a estar conectados a todo o mundo, em todos os lugares, o tempo todo.

Em média, uma pessoa toca em seu smartphone 2617 vezes por diaLink externo, e há quem chegue a 5427 vezes – cerca de uma em cada dez pessoas. Quando se trata de comunicação, os números são igualmente impressionantes. Em geral, respondemos a mensagens de texto enviadas via Whatsapp, Viber ou Signal em pouco menos de 90 segundosLink externo. E respondemos a e-mails dentro de uma hora, em média.

Não há nada de surpreendente aí, já que mídias sociais, as redes, videogames etc. são projetados para maximizar a permanência do usuário. O fato de, repentinamente, ter que se separar de tudo isso é como se abster de uma droga. Qualquer pessoa que já confiscou o smartphone de um adolescente consegue entender isso particularmente bem.

Mas não são apenas os jovens que correm o risco de se tornarem dependentes. Nós, adultos, achamos igualmente difícil largar esses aparelhos. Os notebooks e os e-mails nos smartphones nos permitem trabalhar de qualquer lugar e a qualquer momento.

Consequentemente, não é fácil desligar-se do trabalho cotidiano e dos projetos em andamento. Especialmente em empresas que não fornecem diretrizes claras ou que, às vezes, até mesmo incentivam esse pequeno esforço extra durante as férias. A pressão sutil dos colegas é uma carga psicológica que não deve ser subestimada. É o clássico dilema do prisioneiro digital.

Se meus colegas estão sempre disponíveis e trabalham durante suas férias, eu me sinto obrigado a fazer o mesmo. No final, a minha próxima promoção pode depender disso.

O CEO da Apple, Tim Cook, disse há alguns anos que éramos o produto de serviços digitais e que pagaríamos com nossos dados. É claro que ele está certo do ponto de vista comercial e de marketing, mas podemos nos perguntar se não estamos pagando com mais do que apenas nossos dados.

O tecnoestresse, o burnout digital, a perda das relações sociais e a dependência fazem parte da revolução digital, e precisamos levá-los a sério.

Então, como nos desconectar? Poderíamos deixar o smartphone no hotel, sequer levar o notebook na viagem, ler um livro em vez de assistir Netflix ou desfrutar um jogo de tabuleiro analógico com amigos e familiares. Também já existe uma grande oferta de “desintoxicação digital”, com hotéis e resorts que promovem especificamente férias desconectadas.

Nas férias, eu, particularmente, sempre que possível deixo o smartphone numa gaveta da casa, no silencioso e sem vibração. Sem checar os e-mails, sem Instagram, sem selfies... É estranho no início, porque os hábitos são resistentes.

Depois de um tempo, você se acostuma e começa a realmente desfrutar a paisagem, de novos conhecimentos e das atividades offline. No final, o smartphone não faz falta alguma. Pelo menos, foi assim para mim.

E você? Como são as suas férias na era digital e o que você está fazendo para evitar o estresse da hiperconectividade?

Adaptação: Clarice Dominguez

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