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Enquanto a UE proíbe seu uso, a Suíça continua utilizando plásticos descartáveis

Frutas proibidas: os canudinhos de papel estão bem, mas o copo de plástico é proibido. Westend61 / Maria Elena Pueyo Ruiz

Itens de plástico descartáveis, como canudos e copos, não são mais permitidos nos 27 países da União Europeia. Mas esse não é o caso na Suíça, onde os comerciantes e restaurantes estão adotando sua própria abordagem.

Este conteúdo foi publicado em 21. julho 2021 - 12:00

A proibição da UE de certos produtos plásticos entrou em vigor no dia 3 de julho e abrange uma série de itens de uso diário, desde embalagens de alimentos até lenços umedecidos. Alguns serão totalmente proibidos; outros devem ser rotulados para informar os consumidores sobre o descarte adequado e o impacto do lixo no meio ambiente.

“Plásticos descartáveis têm mais chances de terminar em nossos mares do que suas versões reutilizáveis”, afirma a UE numa declaração sobre sua política ambiental. “Onde houver alternativas sustentáveis facilmente disponíveis e acessíveis, os produtos plásticos descartáveis não poderão ser colocados nos mercados dos Estados-membros da UE”.

A lista de itens proibidos inclui palitos para balões, cotonetes, talheres, pratos e canudos de plástico – bem como copos e recipientes para alimentos e bebidas feitos de isopor, além de todos os produtos feitos de plástico oxodegradável.

As normas não se aplicam à Suíça, que está rodeada por países da UE como França, Alemanha e Itália. Todos esses três países possuem litoral, e a declaração de política ambiental da UE destaca que os dez itens plásticos descartáveis mais comuns representam 70% de todo o lixo encontrado nas praias da Europa.

“Atualmente, a Suíça não tem planos similares para proibir ou identificar certos produtos plásticos descartáveis”, disse Amanda Finger, especialista em resíduos municipais no Ministério do Meio Ambiente, à SWI swissinfo.ch.

Ela destaca que a Suíça planeja proibir os plásticos oxodegradáveis a partir do próximo ano. Embora tais plásticos sejam frequentemente identificados como “biodegradáveis”, especialistas afirmam que eles se decompõem em microplásticos que penetram no solo e na água.

E isso também é um problema para os corpos de água suíços. A poluição por microplásticos no lago de Genebra, por exemplo, é quase a mesma que no Mediterrâneo. Em 2020, a cidade de Genebra proibiu a venda de plásticos descartáveis em terrenos públicos, por exemplo, em quiosques, foodtrucks, sorveterias e eventos realizados em propriedade pública.

“O Ministério do Meio Ambiente está elaborando um relatório sobre possíveis medidas para reduzir a poluição do ambiente pelo plástico”, afirma Finger. Ela acrescenta que, após uma moção chamada “Menos lixo plástico nas águas e no solo”, o parlamento suíço está solicitando ao governo e às indústrias relevantes que “analisem e tomem medidas para combater ampla e efetivamente a poluição ambiental causada pelo plástico, incluindo as principais fontes de emissões”. A moção, contudo, não exige uma proibição.

Comércios e restaurantes

O setor de varejo suíço introduziu algumas mudanças voluntárias. Em 2020, a rede de supermercados Migros deixou de estocar itens plásticos descartáveis como copos, pratos e talheres, substituindo-os por alternativas feitas de materiais como papel, folhas de palma e bioplásticos. A rede Coop, a outra grande cadeia de supermercados do país e rival da Migros, ainda vende artigos de plástico descartáveis junto a suas versões mais sustentáveis.

Ainda em 2020, a Coop deixou de incluir talheres de plástico descartáveis em seus produtos de conveniência, como saladas prontas, e não os oferece mais para clientes que compram alimentos para levar. Em vez disso, ela fornece talheres feitos de madeira ou aço inoxidável. Assim como a Migros, ela também incentiva os clientes a comprarem ou pedirem emprestados recipientes reutilizáveis para armazenar alimentos.

“Esse nosso compromisso, que faz parte de nossa estratégia de sustentabilidade, nos permite economizar cerca de 200 toneladas de plástico por ano”, disse a porta-voz da Coop, Melanie Grüter, à SWI swissinfo.ch.

A associação suíça de restaurantes e hotéis GastroSuisse afirma apoiar uma estratégia para “evitar, reduzir, reutilizar e/ou reciclar” o lixo.

“As medidas tomadas pela economia suíça, que são baseadas em ações voluntárias, provaram seu valor. A proibição de produtos plásticos para os quais existem produtos alternativos não é um problema para a indústria hoteleira desde que estes sejam acessíveis e suficientemente variados”, disse a porta-voz da GastroSuisse Daniela Kimmich à SWI swissinfo.ch.

Em 2017, os varejistas suíços começaram a cobrar CHF 0,05 (US$ 0,05) pelas sacolas plásticas de compras, resultando em uma queda de 84% na demanda nos caixas entre 2016 (417.781.000 sacolas) e 2017 (66.112.000 sacolas).

A poluição continua

Rahel Schaub, presidente do grupo suíço contra a poluição Trash Hero World, acredita que uma proibição de plásticos descartáveis na Suíça, semelhante à da UE, seria um primeiro passo na direção certa. Seu grupo promove ações de limpeza em todo o país e Schaub afirma que que itens plásticos descartáveis representam grande parte do que eles encontram.

“Para resolver o problema, precisamos que todos ajudem – inclusive as empresas que produzem plástico ou embalam seus produtos com ele. Para incentivar a eliminação dessas embalagens, seu redesign ou sua substituição por alternativas, acreditamos que leis adequadas devem ser estabelecidas, uma vez que promessas nesse sentido não foram cumpridas até agora, ou estão muito longe no futuro”, disse Schaub à SWI swissinfo.ch.

No entanto, algumas pessoas estão desconfiadas de uma proibição total. Um leitor da SWI swissinfo.ch assinalou no Facebook que pessoas com certas deficiências não conseguem beber sem um canudo flexível e que muitas das alternativas ao plástico são desconfortáveis ou mesmo inseguras para elas.

Adaptação: Clarice Dominguez

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