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A história do suíço que emigrou para Nicarágua

Yanick Iseli em sua nova casa na Nicarágua: muitas mudanças ainda estão em andamento. zVg

Yanick Iseli vive na Nicarágua há três meses. Algumas coisas correram de acordo com o planejado; outras não. Por exemplo, ele inesperadamente comprou uma casa – pois precisava se conectar à rede elétrica.

Este conteúdo foi publicado em 15. agosto 2021 - 10:00
Eva Hirschi

“O que mais gosto é a liberdade de fazer o que quero todos os dias”, diz Yanick com entusiasmo. Aqui, no norte da Nicarágua, o homem de 37 anos, natural do cantão do Jura, é seu próprio chefe. Não há ninguém para conferir se ele está cinco minutos adiantado ou atrasado; ninguém para incomodá-lo se ele não trabalhar até as 17h em ponto.

Porém, não falta a Yanick motivação para trabalhar. O terreno na selva que ele havia comprado no ano passado estava basicamente abandonado. Hoje, o carpinteiro, comerciante e torrefador de café planta frutas e verduras com a grande ajuda de seu jardineiro Xavier, além de cuidar das mudas de café e construir os alicerces para uma casa de hóspedes.

Originalmente, ele também queria construir sua própria residência, mas isso não é mais necessário, já que comprou uma casa. Uma compra que não havia sido planejada.

Série: na Nicarágua com Yanick Iseli

Este artigo faz parte de uma série sobre emigração. A swissinfo acompanha o cidadão suíço Yanick Iseli em sua aventura na Nicarágua e oferece assim conselhos valiosos sobre a expatriação nesse país.

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“A família vizinha queria se mudar para a cidade e estava procurando um comprador para o terreno. Ao mesmo tempo, percebi como era complicado e caro conseguir uma conexão elétrica para o meu terreno. Foi por isso que comprei o terreno e a casa deles. Embora na Suíça tal casa fosse descrita como uma cabana de madeira rústica”, diz ele.

Yannik Iseli colhendo mangas. zVg

Um carro é mais caro que uma casa

Na Nicarágua, a casa e o terreno custaram uma fração dos preços na Suíça. Yanick pagou cerca de 3.000 francos pelos 1.000 metros quadrados e pela pequena casa.

Recentemente, contudo, ele teve que comprar um carro novo. Ele pagou 7.000 francos por ele, consideravelmente mais do que pela propriedade, e seu carro antigo ainda não foi revendido. Foi um furo não planejado em seu orçamento. Mas Yanick comenta filosoficamente: “vou economizar no aluguel, já que poderei sair mais cedo da casa que estava alugando, e renovar a casa que comprei me custará menos do que construir uma do zero”.

Ainda assim, há muito a ser feito: deve ser instalado um telhado maior, assim como um banheiro seco e um chuveiro – até agora, os proprietários “tomavam banho” com um balde ao ar livre. “Vou instalar uma bomba manual para bombear água do riacho. Sou preguiçoso demais para ficar indo buscar”, diz Yanick com uma risada. Ele também coletará e filtrará a água da chuva. Para água potável, ele ainda depende da água comprada: “duvido que eu consiga aguentar a água do riacho, assim como meus vizinhos”.

Inspirado em Leonardo da Vinci

Outro projeto é a construção de uma ponte sobre o riacho. “Agora, na estação seca, você pode atravessá-lo sem nenhum problema, mas para a estação chuvosa, eu preciso de uma ponte de bambu para poder chegar ao outro lado com um carrinho de mão”. Para isso, Yanick projetou uma construção em arco – concebida originalmente por Leonardo da Vinci – que não necessita de fixações como pregos, parafusos ou pilares de sustentação.

Foi seu amigo Louis que teve a ideia. Louis, que tem por volta dos 60 anos, é canadense, mas trabalha na Nicarágua há mais de cinco anos. Ele tem agora uma plantação de café e uma de bambu no país, enviando o café para as cidades de Quebec e Montreal e vendendo o bambu no mercado local como material de construção.

Louis está cheio de ideias e projetos. “Acho muito estimulante trocar experiências com ele, mesmo que me pareça que seu passatempo favorito é perturbar meus planos”, diz Yanick com um sorriso. Fora Louis, o emigrante suíço quase não tem contato com outros emigrantes ou expatriados. “Já existem alguns suíços por aqui. Provavelmente, mais cedo ou mais tarde eu os encontrarei, mas não procuro ter contato com eles em particular. Não me interessa de onde vem uma pessoa.”

“Venho da Europa”

Yanick Iseli pode contar com um círculo de amigos já existente; ele já havia visitado o norte da Nicarágua cinco vezes, cada vez durante várias semanas. Além disso, fala espanhol fluentemente e não tem dificuldade em se comunicar com os habitantes locais. Por sua vez, aqueles que ainda não estão adaptados a um novo país frequentemente recorrem a associações de expatriados ou de emigrantes.

A pequena plantação de mangas de Yanick Iseli. zVg

O suíço é o único estrangeiro em seu vilarejo. “Conheço cada vez melhor os meus vizinhos, temos boas relações”, afirma. Ele diz que, em geral, as pessoas são muito receptíveis a ele, tendo muita curiosidade.

“Mesmo se eu explicar de onde sou, muitas pessoas aqui nem sabem onde fica a Suíça”, diz o emigrante. “Uma vez alguém me perguntou quanto tempo levaria para chegar até lá de carro. Outra pessoa simplesmente acenou com a cabeça e disse ‘ah sim, o país ao norte dos Estados Unidos’. É por isso que, agora, digo apenas que sou da Europa.”

Adaptação: Clarice Dominguez

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