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"Não precisávamos ir em busca de talentos de fora da Europa"

De origem brasileira, Francine Gervazio dirige desde maio de 2021 a startup Avrios. Avrios

Avrios acaba de ser selecionada pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) como uma das 100 principais pioneiras da tecnologia. Francine Gervazio, diretora-executiva da startup suíça especializada em software de gerenciamento de frotas, fala dos planos e ambições.

Este conteúdo foi publicado em 24. agosto 2021 - 15:00
Philippe Monnier

Fundada em 2015 e sediada em Zurique, a Avrios é uma startup especializada em gestão de frotas. Para permitir operações totalmente digitalizadas e automatizadas, a Avrios desenvolveu um software. A startup, que emprega 50 pessoas de 20 nacionalidades diferentes, arrecadou cerca de 30 milhões de francos em duas rodadas de financiamento. Swisscom Venture, Lakestar e Notion Capital estão entre os principais investidores.

Série: Mulheres no comando 

As mulheres ainda são amplamente sub-representadas nos escalões mais altos da economia. Por exemplo, apenas 13% dos cargos de direção das 20 empresas listadas no principal índice da bolsa suíça, o Swiss Market Index (SMI), são ocupados por mulheres. Nesse aspecto, a Suíça não tem um bom desempenho para os padrões internacionais. Ao longo deste ano, a SWI swissinfo.ch decidiu dar voz a gestoras de empresas suíças que atuam em todo o mundo. Essas representantes da economia suíça discutem os desafios mais urgentes de seus negócios atualmente, desde a crise do coronavírus até o lugar da Suíça na economia global.

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Em junho, Avrios foi selecionada pelo WEF como uma das 100 melhores startups tecnológicas. São jovens empresas promissoras cujas novas tecnologias provavelmente terão um impacto significativo no mundo dos negócios e na sociedade em geral. Empresas como Airbnb, Google, Spotify e Twitter já fizeram parte da lista.

swissinfo.ch: Que vantagens você ganha com seu novo status de "pioneira tecnológica" do WEF?

Francine Gervazio: Ser a única startup suíça selecionada pelo WEF é uma grande fonte de orgulho para toda a nossa equipe. Considero até mesmo esta indicação como um passo importante no desenvolvimento da Avrios. Mais especificamente, este status de "pioneira tecnológica" nos permitirá participar de importantes discussões sobre o futuro da mobilidade. No âmbito destas discussões, a promoção de soluções sustentáveis será certamente um ponto-chave.

swissinfo.ch: Em termos concretos, como você aproveitará esse reconhecimento do WEF para desenvolver ainda mais seus negócios?

F.G.: O fato de sermos uma "pioneira tecnológica" nos traz uma forte visibilidade e nos dá a oportunidade de fortalecer nossa rede de contatos, por exemplo, com investidores e parceiros potenciais. Entretanto, já temos uma boa base de investidores e, até o final deste ano, não estamos procurando por financiamento.

swissinfo.ch: A que tipo de parceiros potenciais você está se referindo?

F.G.: Além de nossos serviços de gerenciamento de frota, administramos um mercado para conectar os gerentes de frota com vários tipos de parceiros. Através do WEF, pudemos identificar novos parceiros que estão na vanguarda de nossa indústria. Além disso, novos parceiros poderiam se tornar revendedores de nossas soluções. Finalmente, é sempre interessante conhecer novas empresas iniciantes com as quais poderíamos desenvolver sinergias.

Biografia

Francine Gervazio nasceu no Brasil e se formou em administração de empresas na Universidade de São Paulo. Depois fez um MBA no Babson College, nos Estados Unidos.

Começou a trabalhar para a Avrios em janeiro de 2018. Desde maio de 2021 é a diretora-executiva da empresa. Antes disso, foi co-fundadora de uma startup no setor de logística. e foi chefe para a América Latina da empresa EasyTaxi.

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swissinfo.ch: No que diz respeito ao seu produto principal, um software para o gerenciamento de frotas de veículos, você certamente tem muitos concorrentes. O que diferencia vocês da concorrência?

F.G.: O sistema que oferecemos não só é projetado para administrar uma frota de veículos, mas também oferece uma infinidade de funcionalidades adicionais. Estes incluem, por exemplo, a capacidade de ver o custo total de propriedade de uma frota. Desta forma, um gerente de frota pode tomar as decisões corretas em relação, entre outras coisas, à substituição de seus carros a gasolina por veículos elétricos.

swissinfo.ch: Que desafios você enfrenta para ganhar a confiança de novos clientes?

F.G.: Adquirimos novos clientes apenas digitalmente, neste caso por meio de campanhas promocionais on-line. Utilizamos um método bastante clássico que funciona bem: fornecemos gratuitamente uma versão simplificada de nosso software, o que permite aos gerentes de frota compreender melhor a utilidade de nossa solução. Para atualizar para a versão completa, os gerentes de frota têm que pagar uma média de dez euros por mês por veículo. Além disso, para empresas com grandes frotas, oferecemos um pacote que inclui a integração de nossa solução em suas infraestruturas de TI existentes, por exemplo, um sistema SAP.

swissinfo.ch: Uma vez que você adquire um novo cliente, qual é sua taxa de retenção?

F.G.: Por enquanto temos 900 clientes. Felizmente, nós sempre conseguimos reter a maioria de nossa clientela. Ademais, com o tempo, conseguimos até vender a eles serviços adicionais.

swissinfo.ch: E como anda sua expansão internacional?

F.G.: Atualmente, nós cobrimos a zona chamada DACH (Alemanha, Áustria e Suíça) bem como a Itália. Nosso objetivo é de estarmos presentes em dois novos mercados europeus até o fim de 2022. Para realizarmos esse objetivo, selecionamos alguns países e estamos realizando testes. Os mercados europeus, a exemplo do mercado americano, são particularmente interessantes, pois nesses países observamos uma grande abertura em relação a soluções duráveis, notadamente os veículos elétricos.

swissinfo.ch: Vocês têm como tirar proveito de expressivas economias de escala?

F.G.: Absolutamente. Uma duplicação de nossas vendas gera apenas um aumento de 20% de nossos custos, sendo que esses se devem principalmente ao desenvolvimento de software, ao marketing e ao serviço de atendimento ao cliente. Por outro lado, para permitir uma escalabilidade máxima, estamos automatizando agora ao máximo nossas relações com os clientes.

swissinfo.ch: Em que países vocês dispõem de representações comerciais?

F.G.: Para assegurar nosso crescimento internacional, nós não temos necessidade de escritórios no exterior. Além de nossa sede em Zurique, nós temos escritórios em Berlim e Breslávia (Polônia), mas seu papel é, respectivamente, o desenvolvimento de software e as operações financeiras. De fato, mesmo na nossa sede de Zurique, temos necessidade de cada vez menos espaço, pois tendo em vista as experiências positivas que tivemos com o teletrabalho durante a pandemia, decidimos permitir a nossos funcionários continuar trabalhando de casa. Nós gostaríamos até de sublocar uma parte de nossos escritórios em Zurique. [Durante a entrevista, havia apenas dois funcionários no escritório da Avrios].

“Para assegurar nosso crescimento internacional, nós não temos necessidade de escritórios no exterior.”

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swissinfo.ch: Você não acha que a comunicação informal entre os empregados, por exemplo em torno da máquina de café, permite aumentar a eficiência de uma empresa?

F.G.: Por um lado, estamos muito bem acostumados com as ferramentas de colaboração online. Por outro, utilizamos o programa Donut que nos permite organizar trocas informais entre nossos empregados.

swissinfo.ch: Seria Zurique o lugar ideal para fundar e desenvolver uma startup internacional?

F.G.: Digamos que os custos elevados são compensados pela imagem de neutralidade e a possibilidade de atrair talentos provindos de toda a Europa. Em nosso caso, não foi nem mesmo necessário buscar talentos fora da Europa e tentar obter os respectivos vistos de trabalho. No tocante ao capital de risco, eu diria que a disponibilidade de fundos é suficiente na Suíça, pelo menos para as fases iniciais das startups. No que diz respeito a nossa empresa, nossos principais investidores, Lakestar e Swisscom Ventures, tem sede na Suíça.

swissinfo.ch: Qual seria o cenário ideal para os próximos dez anos da Avrios?

F.G.: Temos a ambição de nos tornarmos um ator líder na Europa. Para tanto, gostaríamos de cobrir não apenas novos países europeus, mas também oferecer serviços suplementares, por exemplo, transações a partir de nossa plataforma digital. Mais geralmente, visamos nos tornar um parceiro incontornável na digitalização do conjunto de processos necessários à gestão de frotas. Por enquanto, nosso crescimento operacional absorve toda nossa energia. Contudo, quando chegar o momento, e em função das oportunidades, nós consideraremos se a abertura do capital na bolsa de valores ou a venda a um grande grupo são oportunidades atraentes. No momento, é importante mantermos nossas opções abertas.

Adaptação: DvSperling

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