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#LocarnoCloseup

Este conteúdo foi publicado em 12. agosto 2021 - 08:00

Um paraíso para os amantes do cinema. Mas o que tem Locarno de especial?

2020 foi o único ano de intervalo na longa história do Festival de Cinema de Locarno, cuja 74ª edição começa esta noite. Muitos frequentadores regulares podem não vir este ano por causa das restrições de viagem, mas o público que conseguiu chegar a Locarno podem contar com uma animada maratona: são 209 filmes exibidos em 10 dias, durante os quais a cidade é completamente tomada pelos cinéfilos.

Locarno é o mais prestigiado festival internacional de cinema da Suíça, realizado desde 1946, e considerado no mundo do cinema como o "menor entre os maiores", no mesmo nível de Cannes, Berlim e Veneza.

O que distingue Locarno destes grandes festivais? Antes de mais nada, Locarno não é um evento repleto de estrelas. A imprensa de celebridades tem pouca ou quase nenhuma presença aqui. Claro, há sempre alguns grandes nomes, mas eles geralmente têm uma presença excepcional na indústria cinematográfica e na política. Na última edição regular em 2019, por exemplo, o convidado de honra foi o cineasta americano John Waters, que agitou o evento com suas tiradas maliciosas sobre sexo e submundo.

Este ano as honras são para John Landis, um diretor que revitalizou a comédia americana e lançou as carreiras de muitos imortais ilustres, como John Belushi e Dan Aykroyd (The Blues Brothers, 1982) ou Eddy Murphy. Não são exatamente personalidades que vemos nos tablóides. Os convidados de Locarno são selecionados basicamente por causa de seus filmes e sua arte, e não pela fama de estrelas que eles trazem para o festival.

A segunda diferença é que Locarno, a cidade, é exatamente do tamanho de um festival de cinema. Este antigo povoado (sinais de presença humana datam desde o século XIV a.C.) conta apenas cerca de 15.000 habitantes (55.000 se incluirmos a periferia) espalhados por menos de cinco quilômetros quadrados de espaço urbano. É um ambiente muito aconchegante e totalmente infectado pela febre do cinema, dando a impressão de que o festival é o único espetáculo na cidade. Por outro lado, a vida na cidade continua normalmente em Cannes, Berlim e Veneza enquanto seus festivais estão sendo realizados.

Por fim, Locarno sempre se posicionou como uma plataforma privilegiada para filmes de arte. Como a menor entre as maiores, seria suícidio competir pelas estréias mais badaladas (a maioria dos diretores ou produtores em geral prefere lançar seu filme em Cannes). Ao invés disso, Locarno está sempre em busca do cinema mais incomum. Estes são os filmes que você dificilmente verá em qualquer lugar, que provavelmente serão exibidos por algumas semanas em um cinema de arte, mesmo sem serem herméticos demais.

SWI swissinfo.ch estará lá presente, trazendo-lhe uma cobertura altamente diversificada do festival. O jornalista e crítico brasileiro-suíço Eduardo Simantob junto com o vídeo-jornalista italiano nascido em Moçambique Carlo Pisani se juntam à Academia de Críticos do Festival: todos os anos o Festival seleciona 10 jovens críticos de cinema e mídia de todo o mundo para uma imersão intensa no mundo do cinema. Este ano, eles vêm do Vietnã, Romênia, Hungria, Brasil, Chile, República Dominicana, Reino Unido e Suíça.

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Veja aqui matérias atemporais das edições anteriores, incluindo entrevistas com o mestre Julio Bressane e uma das primeiras entrevistas de Kleber Mendonça Filho, co-diretor de "Bacurau", quando seu primeiro longa, "O Som ao Redor", estreou em Locarno. 


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