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"A Lei do CO2 é uma oportunidade para todos os atores da economia"

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A revisão da Lei Federal de CO2 é um passo na direção certa, afirma Christoph Schaer, copresidente do comitê econômico a favor da nova legislação. A revisão, que será submetida à votação em 13 de junho, tem como objetivo concretizar os compromissos da Suíça para reduzir os gases de efeito estufa.

Este conteúdo foi publicado em 19. maio 2021 - 15:30

A política climática da Suíça será decidida nas urnas no dia 13 de junho. Nos termos do Acordo Climático de Paris, o país se comprometeu a reduzir suas emissões pela metade até 2030. Para alcançar essa meta, o governo e o Parlamento elaboraram uma nova Lei do CO2Link externo. Ela contém medidas relativas ao transporte rodoviário e aéreo, a emissões industriais e à renovação de construções.

A implementação desses instrumentos divide profundamente o setor empresarial. Um comitê econômico interpartidárioLink externo, formado por representantes das indústrias automotiva, aeronáutica, petrolífera, de transporte e de construção civil, lançou com sucesso um referendo contra a nova legislação, caracterizando-a como "cara e ineficaz". Alguns dos ativistas pela greve climática também se opuseram à lei, já que acreditam que ela não vai suficientemente longe.

Uma outra parte do empresariado suíço, composta por atores dos setores de energia solar, de alta tecnologia, de madeira e de renovação de construções, apoia a revisão. Christoph Schaer, copresidente do Comitê Suíço de Economia para a Lei de CO2Link externo e diretor da Suissetec, considera que a revisão da Lei de CO2 é um investimento rentável, pois promove a inovação na Suíça.

swissinfo.ch: Por que a revisão da Lei de CO2 é necessária?

Christoph Schaer: Temos um objetivo ao qual nos propusemos no Acordo Climático de Paris: a descarbonização. Se quisermos alcançá-lo, devemos fazer tudo o que pudermos para reduzir as emissões de CO2. A revisão ampla da Lei de CO2 propõe medidas razoáveis e acessíveis para atingir este objetivo. Ela proporciona às empresas condições estruturais confiáveis e transparentes, permitindo que elas invistam em novas tecnologias. Na nossa opinião, essa é uma oportunidade para todos os atores da economia.

A Lei de CO2 impõe impostos e exigências adicionais. Isso não vai prejudicar a economia suíça?

A lei é uma mistura de objetivos e instrumentos. A AEE Suisse, organização guarda-chuva para empresas de energia renovável e eficiência energética, realizou um estudo que mostra que são precisamente esses mecanismos que permitirão alcançar as metas o mais rapidamente possível. Estou convencido de que estamos no caminho certo. A lei introduz alguns impostos, mas eles são incentivos fiscais. Seu objetivo é mudar as práticas a fim de reduzir as emissões. Assim, todos podem influenciar o valor do imposto que pagam ao mudarem seu comportamento. Além disso, eles serão abolidos automaticamente quando tivermos alcançado a meta.

A lei não vai colocar muita pressão no orçamento das pessoas devido a gasolina, passagens de avião e calefação mais caras?

Os opositores da lei alegam que ela custará caro ao contribuinte. De acordo com suas estimativas, a conta para uma família de quatro pessoas aumentará em 1.000 francos por ano. Porém eles baseiam seus cálculos em casos extremos, ou seja, em pessoas que viajam muito de avião, possuem um carro grande e dirigem muitos quilômetros. Se levarmos em conta o consumo de um cidadão médio, o custo não será muito maior. São 100 francos a mais por ano.

“Estou convencido de que a lei não será o suficiente, mas é um passo na direção certa”

Christoph Schaer, diretor da Suissetec

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Por um lado, o dinheiro dos impostos de incentivo é em grande parte redistribuído aos cidadãos. Por outro, não se trata simplesmente de custos adicionais, mas de investimentos, que devem ser vistos em conjunto com os benefícios correspondentes. Se agirmos de forma a atingir a meta de redução de emissões, é possível se beneficiar desse sistema.

Alguns ativistas da greve climática se opõem à revisão e acreditam que ela não vai suficientemente longe. A nova Lei de CO2 será suficiente para manter o aquecimento global abaixo de 2 graus?

Apenas uma pequena parte dos ativistas do clima se opõe à revisão legislativa. Ainda assim, não é nada estratégico entravar essa lei, pois ela é um primeiro passo. Estou convencido de que ela não será o suficiente, mas é um passo na direção certa. Dentro de alguns anos, teremos de fazer um balanço e certamente faremos novos ajustes.

Em uma época de pandemia, quando muitas pessoas perderam seus empregos, será mais difícil passar essa lei junto à população?

Tudo depende de como se argumenta. Se você disser às pessoas que elas terão mais despesas, você não as convencerá. Pessoalmente, eu reformei minha casa, que foi construída nos anos 70. Graças ao trabalho realizado, agora tenho menos despesas. Esse tipo de investimento será recompensado nos próximos anos. No final, tanto a população quanto a economia serão beneficiadas por essa lei.

O Índice de Desempenho em Mudança Climática de 2021 constata a falta de medidas para o setor agrícola. Essa não é uma lacuna na lei?

A Lei de CO2 prevê medidas relativas aos três principais emissores de CO2, a saber, os setores industrial, de transporte e de construção civil. Existem outras coisas em jogo no setor agrícola. Estão em andamento iniciativas para tratar dessas questões específicas. Acredito que seja positivo que a lei não misture tudo.

>> Patrick Eperon, coordenador do comitê referendário e representante do Centre Patronal, explica por que ele se opõe à revisão da Lei de CO2

Adaptação: Clarice Dominguez

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